11.1.06

Cavalo Marinho

Uma das variantes do Bumba-Meu-Boi, este auto e brincadeira popular é tradicional da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Seu ciclo se desenvolve entre os meses de julho e janeiro, com destaque para o período natalino. Reunindo teatro, música, dança e poesia, o folguedo se caracteriza pela variedade de movimentos, loas, toadas, coreografias e improvisos. Para alguns pesquisadores, o Cavalo Marinho corresponde a uma espécie de versão brasileira da Comedia Dell’Arte.
No folguedo, chegam a estar em cena 76 personagens, divididos em 63 cenas. Eles podem ser classificados em três categorias : humanos, animais e fantásticos. Quem costura o enredo e coordena a cena é o Capitão Marinho. O enredo básico gira em torno do «baile » que o Capitão vai oferecer aos Santos Reis do Oriente. Ele contrata dois negros, Mateus e Bastião, para tomarem conta do terreiro. Eles passam a se dizer donos do lugar e o Capitão é obrigado a chamar o Soldado da Gurita. Quando tudo parece voltar ao normal, surge o Empata Samba interrompendo a festa. Até que aparece Mané do Baile, abrindo terreno para o baile, ponto alto da noite.
A música e o canto, fios condutores de toda a brincadeira, são executados pelo Banco, composto de uma rabeca, um pandeiro, uma ou duas bajes de taboca (recos) e um mineiro (ganzá). Além desses instrumentos, os personagens Mateus e Bastião percutem bexigas de boi em seus próprios corpos. Há danças variadas, incluindo maguião, São Gonçalo e coco. Uma apresentação completa chega a ter oito horas de duração.